sábado, 3 de janeiro de 2009

Comunicação além da Comunicação?

Caros Leitores,
Para abrir as postagens de 2009, foram escolhidos dois textos do jornalista Sylvio Micelli que falam de dois assuntos relevantes para a área de comunicação que recebi através do grupo de discussão CCM-Iamspe.

Comunicação além da Comunicação?
por Sylvio Micelli

Assunto instigante esse, não?

Inicialmente esclareço aos membros do grupo que sou formado há 13 anos pela FIAM/SP. Depois fiz Licenciatura em Comunicação pela Fatec, voltada para a área de rádio e alunos do Ensino Médio. Fiz pós-graduação em Política e Legislativo pela Unesp e, atualmente, curso o 1º ano de Economia pela Unicsul.

Durante todo este período não me afastei do ambiente acadêmico, muito menos do convívio com os profissionais de Comunicação, quaisquer que sejam as especializações.

Os cursos de Comunicação, em tese, são unificados nos primeiros dois anos que são reservados a conceder o "embasamento humano e sociológico" ao futuro profissional. Nos outros dois anos, cada qual segue sua especialização, quando recebe ensino técnico e prático para concluir seu bacharelado.

Peço desculpas antecipadamente aos colegas, mas não concordo com um curso único de quatro ou cinco anos, com o intuito de ampliar conhecimentos. Tenham certeza de que isso não ocorrerá, simplesmente pelo fato de que, em que pesem carreiras correlatas, são incompatíveis. Iria na verdade além: separaria tudo, desde o primeiro ano, como já acontece com alguns cursos de Rádio e TV. Algumas disciplinas da grade curricular poderiam ser até iguais, sem maiores problemas. Com um pouco de esforço e dedicação, em seis ou sete anos, a mesma pessoa poderia ser bacharel nas três habilitações, eliminando-se disciplinas da grade curricular.

Além disso, ao analisarmos o Jornalismo (JN), a Publicidade e Propaganda (PP) e a Relações Públicas (RP) deparamo-nos com situações profissionais díspares. Senão, vejamos:

- enquanto no campo do JN ainda se discute, absurdamente, a questão da validade ou não do diploma, tanto RP quanto PP já dispõem de conselhos e estruturas profissionais que, até prova ao contrário, estão livres de questionamentos por mais estranhos que sejam.

- precisamos lembrar que as empresas impõe-nos uma promiscuidade funcional. Eu sou jornalista. Mas tenho que ser, dentro da área, redator, editor e pauteiro. Fora da área devo ser fotógrafo, diagramador, gerente de site e até distribuidor de jornal.

Acredito que cabe ao profissional, qualquer que seja sua profissão, "agregar valor à carreira". Mas isso deve ser opção própria.

Sei que não houve a afirmação de que devemos agir de acordo com o mercado, mas ele é feroz e exigirá cada vez mais, e mais, e mais... Não quero entrar num discurso político, mas podemos comparar à base do Capitalismo ou, numa versão mais atual, do Neoliberalismo. Ou seja, vamos concentrar cada vez mais atribuições aos profissionais! Eles devem saber mais e mais. Se possível falar dez idiomas e entender "de merda à bomba atômica".

O profissional multifacetado é o sonho de qualquer empresa. Ela paga por um e recebe três, quatro profissionais.

Por fim, não nos esqueçamos do famoso profissional "faz-tudo". Aquele que é igual ao pato: voa, nada, anda, canta. Mas faz tudo muito mal...

Texto escrito ao grupo [comunicacaopublica] em 21/12/2008 com base nas propostas feitas abaixo por Aurélio Martins Favarin do www.tcccomunicacao.blogspot.com

"Boa noite. Quero lançar na lista dois questionamentos:
1º- Vocês acreditam que os cursos de comunicação devem continuar sendo separados em habilitações (jornalismo, pp, rp etc) ou que deveria existir um curso amplo e abrangente, com talvez cinco anos, com apenas o título "Comunicação Social"? Peço que respondam este questionamento levando em consideração a realidade das empresas.
2º- O que vocês precisam saber em seus empregos além de comunicação? Eu mesmo, por trabalhar em uma empresa de rastreamento, preciso compreender como funciona o georeferenciamento, logística, transporte rodoviário de cargas (situação das estradas, preços de combustível, quantidade de caminhoneiros autônomos, transportadoras e terceirizadas etc). Logicamente que, além disso, tem muito mais. Apesar dessa pergunta parecerdesinteressada, este tipo de exercício e questionamento pode fazer com que os membros da lista entendam as realidades de outros profissionais e contribuam com colegas de setores próximos. Afinal de contas, nem sempre é tão claro o que precisamos saber.
Atenciosamente
Aurélio Martins Favarin"

--Postado por Sylvio Micelli no .: Jornalismo e Algo Mais :. em 1/02/2009 09:52:00 P

Na ponta da língua
por Sylvio Micelli

Com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigência desde ontem, e com o uso excessivo de expressões estrangeiras, principalmente vindas do Inglês, sempre retorna a discussão sobre a defesa do idioma pátrio. Particularmente entendo que se dá ao assunto mais importância que realmente tem.

Eu entendo que para muitos a simples anexação de termos importados incorre na perda da identidade nacional. Não podemos, porém, cair num xenofobismo extremado que, em nada, contribui. O atento parlamentar Aldo Rebelo, que chegou a ocupar a presidência da República, há anos encampa esta luta em defesa do idioma pátrio. Seu projeto, porém, é hermeticamente fechado e não deve prosperar.

Primeiro, qual a importância que realmente se dá à "última flor do lácio inculta e bela", descrita por Olavo Bilac? Acredito que antes de discutirmos o uso de termos internacionais, que tal zerarmos ou ao menos minimizarmos o analfabetismo, que é muito mais importante e fundamental para o crescimento do País?

A bela Língua Portuguesa, ao longo dos séculos, cresceu de forma robusta. Nasceu do antigo latim arcaico, passou pelo latim dito vulgar, chegou ao romance ocidental, que gerou o português, o francês e o castelhano. Recebeu influências indígenas e africanas, incorporou termos de origem árabe e, por fim, com o advento da imigração iniciada no séc. XIX, trouxe outros elementos ao nosso idioma.

Como defende muitos bons gramáticos, a língua é viva, algo em constante transformação. Além disso há vocábulos espalhados pelo mundo que não encontram sua fiel tradução em diversos idiomas. Como traduziremos, por exemplo, o termo saudade ou bossa, algo tão nosso e sem correlação com outros idiomas?

O estrangeirismo deve ser analisado sob a ótica de sua importância e contribuição à Língua Portuguesa. Creio que deve ser permitido o uso de expressões mundialmente consagradas. Não me sinto ferido ao ler e ouvir coisas como brainstorm, coffee-break ou delivery. Já sinto-me incomodado, porém, com coisas do tipo sale ou target.

A verdade é que se trata de questão de usos e costumes, apenas. O sentimento brasilianista vai muito além da sua fala, em que pese esta ser parte importante do sentimento. Só que, para quem passa fome debaixo das pontes aqui da Mooca, pouco importa se a comida é por entrega ou delivery. Eles só querem que ela venha.

Texto escrito para o concurso "Sexta-Feira Premiada" promovido pelo site Opinião & Notícia com base no texto Tendências e Debates - Palavra: um ser alado, maleável, nômade

O texto foi qualificado entre os três melhores da primeira semana do ano de 2009, 02/01/2009

--Postado por Sylvio Micelli no .: Jornalismo e Algo Mais :. em 1/02/2009 09:29:00 P

Caro colega Sylvio te agradeço a permissão para publicar estes textos, tenho certeza que eles irão contribuir com a reflexão dos leitores do meu blog.
Um abraço
Maria Amelia

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